quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Descaso da CEDAE na Urca

Muitos moradores da ladeira São Sebastião, na Urca, vos dirão, com cara de pesadelo, que a bomba que garante o abastecimento de sua rua já teve dias piores. Mas parece que os velhos, e, no caso, maus, tempos, estão querendo voltar.
Para explicar a falta de água na rua considerada a mais antiga da cidade, a saudosa CEDAE, alega, essa 4a feira 27 de janeiro, os problemas elétricos de Gandu, que, além de terem deixado, na terça, o Rio de Janeiro e a Baixada inteiros sem água, também teriam sido fatais para a bomba da São Sebastião.
Mas há outros problemas para os quais será mais difícil culpar Gandu.
Para ilustrar nossa demonstração, vamos usar os próprios lemas auto-elogiosos que a CEDAE reza em sua mensagem de (longa) espera quando ligamos para o serviço de atendimento no 0800 28 21 195.

"O principal resultado do trabalho da CEDAE é saúde"
Essa afirmação nos parece uma inverdade, quando a confrontamos com as fotos de um post precedente, mostrando uma "sangria" de esgoto, ou seja, imundície atirada diretamente no mar para se livrar de um entupimento, operada praticamente em frente à Igreja da av. Portugal, no dia de São Sebastião, em plena tarde, ao lado de uma das praias mais lotadas de crianças no Rio. Pelo que sabemos, o resultado de tomar banho em esgoto é risco de doenças graves, ou seja, o justo contrário de saúde.
Porque, para a CEDAE, são "as ligações clandestinas" (leia-se: feitas pela população, por nós) que "prejudicam a todos, comprometendo a saúde de nossa população, e de nossas famílias, além de ser crime punido em lei". Como qualificar, então, a tal sangria, ao lado de uma praia lotada de crianças? Não se trata, também de um crime, por exemplo de um crime ambiental, e de crime contra a saúde pública? Ou a CEDAE está acima da lei? "Antes de reclamar do valor excessivo de sua conta, certifique-se de... qualquer tipo de vazamento de água..."
Pois bem, vamos seguir a lição da CEDAE:
como mostram as fotos abaixo, tiradas em frente da Escola Britânia, na avenida Pasteur, há, em plena escassez de água, um tremendo vazamento, no mesmo lado do passeio desse estabelecimento, e isso há mais de um mês, pelo que diz o segurança da escola, Fabrício. Foto do local:

Ainda bem, moradores e moradoras da Urca estão ligando para a própria CEDAE para evitar que ela jogue fora nosso dinheiro e nossa água. Assim, a CEDAE acusa as "ligações clandestinas" que "impedem a CEDAE de prestar um melhor serviço". Mas a realidade mostra que, além de ter que arcar com os "gatos", os clientes também têm que pagar pela falta de manutenção da rede de água da própria CEDAE. Informamos à CEDAE que não há ninguém impedindo-a de consertar o vazamento, pelo contrário.
Vejam as fotos do vazamento:

Poça, e provável dengue. Culpa da população, outra vez?





segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Lilibeth, diretora da AMOUR, ajuda Haiti na Urca

Lilibeth, diretora da comunicação da AMOUR, organiza na Urca a ajuda ao Haiti.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Esgoto lançado na avenida Portugal em pleno dia de São Sebastião

Ontem, 20 de janeiro de 2010, dia de São Sebastião, por volta das três da tarde, a AMOUR foi avisada por um morador da Urca, Luiz Pamplona, que havia um lançamento de esgoto na avenida Portugal, praticamente em frente ao nº 818 (ed. Golden Bay).
Seguem algumas fotos tiradas por volta de 15h45, que confirmam o fato.
As imagens, contudo, não permitem ter noção do cheiro exalado, que é insuportável.
Desde ontem, muitos outros moradores manifestaram seu descontentamento à AMOUR, após tentarem em vão acionar a CEDAE, a Patrulha ambiental, a Prefeitura...
Novos testemunhos indicam que hoje, dia 21, a mancha não deixou de crescer, a ponto que alastra-se até a praia!

A presidente da AMOUR, Celi, contactou hoje o Rodrigo Pian, da 4ª Região Administrativa - RA, para notificar o problema. Este ligou imediatamente para CEDAE. A AMOUR está no aguardo de uma resposta da 4ª RA.
Em reforço, um diretor da AMOUR também contactou diretamente a CEDAE, cobrando ação.

ACOMPANHAMENTO DO CASO:

Rodrigo Pian, declarou à AMOUR essa 5a-feira à noite por e-mail:
"Assim que terminamos nossa ligação, fiz contato com a gerência sul da CEDAE, que tomou nota da ocorrência e já direcionou sua equipe ao local.
Por favor, avise-me se o serviço foi devidamente realizado. De qualquer maneira, amanhã passo no local para verificar."
Moradores que passarem em frente ao 818 da av. Portugal, por favor, verifiquem o andamento e informem-nos! (aloamour@gmail.com)















sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Inauguração da Praça dos Bondes no Morro da Urca

(A Diretoria da AMOUR repassa aqui, em seu blog, anúncio comunicado pelo Caminho Aéreo Pão de Açúcar, destaque e cartão postal da Urca.)

No último dia 13 de novembro, às 13h, foi inaugurado um novo espaço no alto do Morro da Urca, a Praça dos Bondes. No local, ficarão expostos os bondinhos das duas gerações anteriores – 1912 e 1972 - e duas esculturas de bronze, em tamanho real, dos responsáveis pela idealização e implantação de cada um deles, Augusto Ferreira Ramos e o engenheiro Cristóvão Leite de Castro.

Turistas, visitantes e todos que por aqui passarem terão o prazer de conhecer de perto a bela trajetória que vem encantando milhares de pessoas de todo o Mundo desde 1912, quando o primeiro Bondinho foi instalado. Abaixo, fotos da Praça com os Bondinhos e seus idealizadores retratam a emoção de poder dividir com o público uma história que já faz parte da Cidade maravilhosa há 97 anos.



Mais informações: www.bondinho.com.br ou sac@bondinho.com.br

domingo, 31 de maio de 2009

Carta Aberta ao Prefeito

Com o objetivo de colaborar com a negociação entre IED X Prefeitura, a Presidencia da AMOUR encaminhou ao Prefeito Eduardo Paes, com cópia ao Vice-Prefeito Carlos Alberto Muniz e ao Chefe da Casa Civil, Sr. Pedro Paulo uma notificação encaminhada ao IED em junho de 2008, notificação essa que possívelmente poderá ser impedimento de pedido de ressarcimento de gastos com obras no Cassino.
Segue a notificação:


Excelentíssimo Sr.

Prefeito Eduardo Paes

Encaminho à V. Exa. O texto da notificação que remeti, para o IED, orientada pelo Dr. José Guerra Neto, advogado da nossa Associação.

O documento foi entregue em 03 / 07 / 09, através de oficial de justiça, visava o possível impedimento de que aquela instituição viesse pedir ressarcimento de seus gastos, com obras da Prefeitura.
Tenho em meu poder este documento, que poderei passar à Prefeitura, caso seja do interesse de V. Exa.

Ao seu dispor,

Celinéia Paradela Ferreira

Presidente da AMOUR

Transcrição do texto da notificação

Tem o presente, o objetivo de NOTIFICAR Vª Sª para ciência de que a AMOUR -Associação dos Moradores da Urca está recebendo o apoio da iniciativa do Ministério Público Estadual que propõem duas Ações Civis Públicas contra a instalação da sede do IED -Brasil no imóvel do antigo Cassino da Urca.

As Ações tramitam na 5ª e 6ª Vara de Fazenda Pública desta cidade e apontam fatos que os respectivos Promotores Públicos consideram ilegais.

O inteiro teor de cada uma delas está disponível nos respectivos Processos, aos quais os Advogados de Vª Sª tiveram acesso.

Outros procedimentos judiciais estão em andamento e dos mesmos será dado conhecimento a Vª Sª em seu devido tempo.

A concessão ou não de liminares são episódios naturais no trâmite das Ações Judiciais da natureza das Ações Civis Públicas. São imprevisíveis.

O desenlace desses processos de longa tramitação geram também expectativas e ansiedades com peso diferente para cada uma das partes.

O IED-Brasil e seus projetos para a Urca estarão "sub-judice" no lento caminhar em suas inúmeras instancias, consumindo anos de recursos, embargos, contestações, etc.

Além da área judicial, há que considerar que a visão das próximas autoridades municipais provavelmente não serão as mesmas que a atual, o que pode gerar nova área de contrariedade para os objetivos do IED-Brasil.

Cumpre-nos assim, e esse é o objetivo da presente NOTIFICAÇÃO deixar clara a real possibilidade de resultar inviável a instalação e funcionamento ou o que é pior, apenas o funcionamento do IED-Brasil naquele local. Judicialmente inviável.

Correrá, desta forma, sob exclusiva responsabilidade dos dirigentes do IED-Brasil todas as conseqüências pelas contratações visando sua operacionalidade e sua eventual frustração.

Estamos nos referindo aos contratos de projetos e obras, instalações, compra de materiais e equipamentos e contratos de espaços com terceiros, contratação de pessoal de todos os níveis, matriculas para futuros alunos, etc.

As eventuais Ações futuras por perdas e danos que venham a ser propostas por Vª Sª , terão sua contestação imediatamente instruída pela presente NOTIFICAÇÃO, suficientemente tempestiva e inibidora de alegação de desconhecimento dos fatos e boa fé.

Os riscos pela aventura em que se constitui a empreitada a partir desta etapa, não poderão legitimar compensações a que o ente público seja condenado em prejuízo dos cidadãos contribuintes desta Cidade que afinal, serão chamados a pagar a conta.

Limitada ao exposto, subscrevo-me

Atenciosamente,

Celinéia Paradela Ferreira

Presidente da AMOUR

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Diretor da AMOUR publica artigo no Globo sobre o desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro

Em artigo publicado no jornal "O Globo" de 17.04.2009 o arquiteto urbanista Luiz Fernando Janot expressa a sua opinião em relação a determinadas questões polêmicas que envolvem o desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro. Com isso, demonstra o seu comprometimento não apenas com o bairro da Urca, onde exerce o cargo de Diretor da AMOUR, mas com os problemas que permeiam a vida dos moradores de nossa cidade. Transcrevemos, a seguir, o artigo publicado.

***

“MUROS QUE PREOCUPAM”

Luiz Fernando Janot

Arquiteto Urbanista

Professor da UFRJ


Apesar de reconhecer a dificuldade do poder público para atuar de maneira eficaz nos territórios dominados pelas diversas facções que controlam o tráfico de entorpecentes ou pelas milícias que atuam no comércio ilegal de imóveis, na distribuição de gás e no transporte público alternativo, podemos afirmar que algumas soluções anunciadas recentemente para controlar a expansão dessas comunidades não passam de paliativos diante dessa perversa realidade.

O chamado poder paralelo, encastelado em praticamente todas as comunidades populares, vem estendendo os seus tentáculos por quase toda a cidade e promovendo, direta ou indiretamente, assaltos à mão armada nas ruas, residências e estabelecimentos comerciais, roubos de cargas e veículos e os famigerados seqüestros relâmpagos. Presenciamos uma espécie de ditadura cruel e implacável que interpõe seu poder aos cidadãos desqualificando os princípios que devem reger a vida numa cidade democrática. O agravamento vertiginoso desse quadro vem despertando o medo generalizado na população e, consequentemente, a idéia de que a segurança só se encontra em espaços fechados ou de acesso controlado. Compromete-se dessa forma a vida nos espaços públicos tradicionais.

Na verdade, a segregação no espaço urbano não é um fato novo. Na Idade Média a cidade se fechava para os perigos externos através de muralhas periféricas, enquanto hoje nota-se que algumas cidades contemporâneas se fecham em si mesmas criando espaços restritivos de convivência entre os seus próprios habitantes. Talvez essa tendência seja um prenúncio lamentável da construção de um apartheid social na cidade onde sobressaem os muros, as grades e as cercas eletrificadas que comprometem ostensivamente a imagem visual da paisagem urbana.

Uma cidade como o Rio de Janeiro não se melhora espacialmente apenas pela vontade política ou por soluções urbanísticas adotadas sem atentar para o impacto que podem causar no meio ambiente e no desenvolvimento harmonioso da cidade. O assunto é complexo e merece uma apreciação mais abrangente. Não será a construção indiscriminada de muros que irá reverter questões estruturais que existem por trás da expansão das favelas. Um grande muro periférico envolvendo as comunidades instaladas nos morros para conter a sua expansão e preservar as reservas florestais no seu entorno é uma proposta simplista e comprometedora visualmente da própria paisagem que se quer ver preservada.

Há que se controlar a expansão desenfreada das favelas, mas não dessa forma. É bom que se atente para o fato de que esses muros de blocos de concreto irão constituir, na prática, uma das paredes das casas que serão construídas neles encostadas. E, certamente, serão casas com mais de um pavimento com janelas – e portas, quem sabe? – abertas para as áreas verdes que se deseja proteger. Cria-se um ciclo vicioso. Além do desperdício de verba mal aplicada, entendemos que esses recursos poderiam ser destinados à implantação de melhorias na infra-estrutura e na construção de equipamentos de interesse social para tais comunidades.

Ao invés dos muros de concreto seria mais simples, mais econômico e mais útil criar uma faixa periférica de terreno non aedificandi com largura compatível e acompanhando uma cerca limítrofe construída com material ecologicamente adequado. Essa faixa seria demarcada por meio de uma cobertura vegetal rasteira integrada ambientalmente com a reserva florestal em seu entorno e poderia destinar-se eventualmente à construção de escadarias, plano inclinado ou local para implantação das redes de infraestrutura para a própria comunidade. Além de tudo, por se tratar de um espaço livre, facilitaria a observação à distância e o acesso por parte do poder público para controlar a expansão territorial através de ocupações irregulares.

Luiz Fernando Janot